E, embora possam surgir em qualquer idade, cerca de 40% dos casos iniciam-se antes dos cinco anos e 15% antes dos 24 meses de vida. De um modo geral, a doença afeta mais as raparigas que os rapazes. Os sinais e sintomas mais comuns são a dor, o inchaço nas articulações, a rigidez matinal, a febre e manchas no corpo.

A Artrite Idiopática Juvenil, que tem na sua origem inflamações nas articulações, é a doença reumática mais frequente na infância e na juventude. A forma mais comum é a artrite idiopática juvenil oligoarticular – que envolve até quatro articulações nos primeiros seis meses da doença – que representa quase 50% da totalidade dos doentes com esta patologia. No entanto, outras doenças como Lupus Eritematoso Sistémico, Dermatomiosite Juvenil e Vasculites também fazem parte das patologias registadas entre crianças.

É imprescindível o início atempado da terapêutica adequada e o controlo destas doenças para uma maior qualidade de vida das crianças, com repercussões na vida adulta. Mais de metade das crianças com doenças reumáticas apresentam algum sinal da patologia ou alguma sequela funcional quando atingem a idade adulta. O diagnóstico precoce é decisivo para um tratamento adequado, prevenindo a sua progressão, restaurando funções orgânicas, promovendo um crescimento normal e evitando consequências a curto e a longo prazo.

Na última década registaram-se grandes mudanças no tratamento de crianças com doenças reumáticas, sobretudo com as terapêuticas biotecnológicas, sendo muito importante uma maior consciencialização da comunidade para estas doenças, uma vez que a família e a escola assumem um papel decisivo na gestão das doenças reumáticas na criança.

Texto da autoria de: Ana Filipa Mourão, reumatologista pediátrica, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia

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