O caso de bullying no Seixal, que terminou com um jovem atropelado ao fugir dos colegas, voltou a levantar várias questões relacionadas com este tema, nomeadamente sobre quem recai a responsabilidade - se nos pais, se nas escolas.

Mas e quando é o seu filho que faz bullying? O Womanlife falou com a psicóloga Marta Martins Leite, que explicou como identificar e como agir.

"Uma criança ou adolescente que faz bullying pretende sempre um estatuto de superioridade dentro do grupo, conseguindo-o na base do medo e da humilhação. No entanto, existem diversos sinais que podem denunciar que a criança possa estar a agir como bully, entre eles: A criança tem dificuldade em obedecer a regras e em lidar com adversidades; A criança não consegue lidar com a sua raiva, zanga-se facilmente, é impulsiva e tem pouca tolerância à frustração; Tem necessidade de se sentir superior e gaba-se da sua superioridade, sendo ela real ou imaginária; Tem necessidade de sentir que é o/a mais forte, consegue o que quer com ameaças; Intimida os irmãos ou outras crianças com quem brinca; Frequentemente “faz batota” e mente; Não têm uma visão positiva de si mesmos; Não conseguem resolver os seus problemas com diálogo; Têm uma grande necessidade de dominar ou subjugar os outros; Estas crianças ou jovens têm ainda um comportamento de oposição, de desafio à autoridade dos adultos (incluindo Pais e Professores), fazendo com que muitas vezes tomem as suas próprias atitudes e comportamentos independentemente do que os adultos lhes indicam."

No entanto, se um pai ou um professor identificar este tipo de atitudes numa criança ou num jovem, como deve agir?

"É importante ajudá-lo a mudar os seus comportamentos e atitudes negativas em relação aos outros. É importante conversar com a criança ou jovem e consciencializá-lo de que a atitude é muito grave. É necessário que se faça ver à criança a dimensão do seu erro, mas também que se humanize essa mesma criança, por forma a torná-la num melhor ser humano. É importante ajudá-la a mudar os seus comportamentos e atitudes negativas em relação aos outros. É importante falar com a escola, mas é sobretudo necessário olhar para o mundo interno dessa mesma criança. Deste modo, é fundamental que se proceda de imediato ao seu acompanhamento psicoterapêutico. A procura de um psicólogo é fundamental", esclarece Marta Martins Leite.

Sabemos que em muitos casos quem sofre de bullying fica com marcas permanente. A psicóloga explica que o mesmo acontece com quem o pratica - há traços que podem permanecer, à medida que o bully cresce e se torna adulto.

"Há traços que efetivamente podem permanecer se estivermos a falar de factores como a personalidade ou o meio violento e eventualmente inalterável onde possa estar inserido. Mas é sempre necessário analisar caso a caso."

A especialista aconselha a que os pais não desvalorizem o problema, muito menos que o neguem. "Por muito que custe, é importante que não acredite em tudo o que o seu filho lhe diz, isto porque crianças que fazem bullying, são por norma  manipuladoras e podem construir uma história onde se fazem passar por inocentes ou vítimas."

Para a psicóloga Marta Martins Leite, há uma questão essencial: estar mais tempo com o filho que pratica bullying, de forma a conhecer melhor o seu comportamento e as suas companhias. "Passe mais tempo com o seu filho e esteja atento às suas actividades e companhias, tenham mais diálogo, mais atividades juntos, mais cumplicidade. Ajude o seu filho a ter reações menos agressivas e mais empáticas. Nunca recorra a punições físicas, bater só reforçará a crença de que a agressividade e o bullying são aceitáveis."

ENTREVISTADA: MARTA MARTINS LEITE, PSICÓLOGA NAS CLÍNICAS LEITE

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