As escolas fecharam mesmo e não há ensino à distância. Se já era desafiante para os pais trabalharem em casa e apoiarem os filhos nas aulas online, o desafio não é menor em mantê-los ocupados o dia inteiro.

E a televisão, o telemóvel ou os videojogos devem ser evitados, para que as crianças e os jovens continuam a ser estimulados intelectualmente, sem caírem no sedentarismo ou perda de ritmo que pode prejudicar depois o rendimento escolar.

O Womanize falou com a psicóloga Júlia Machado e com Silvia Reis, blogger e mãe de 4 filhos.

Para as crianças e jovens, isto é o reviver de uma situação de voltarem a estar afastados dos amigos e, desta vez, nem os podem ver nas aulas online.

"Vários estudos científicos referem que a privação do contacto físico alteram funções cerebrais importantes e que podem ser prejudiciais ao nosso bem estar. Aqui deparamo-nos com a questão da forma como estas crianças vão contactar com os amigos, sendo a única forma possível nesta fase de pandemia é através do uso de tecnologia. Este afastamento é prejudicial, embora necessário porque assim o Covid-19 nos obriga a isso, e pode efetivamente tornar as crianças mais agressivas e dependentes do uso da tecnologia", explica a psicóloga Júlia Machado.

Mas o desafio agora parece maior. Sem aulas, as crianças têm mais tempo livre e o desafio será mantê-las ocupadas, sem estarem o dia inteiro nos videojogos ou a ver TV.

Para a blogger Silvia Reis, o segredo é a organização: "Cá em casa, somos democráticos até certo ponto. Tivemos uma reunião de família para tentar perceber o que eles desejavam fazer durante a pandemia. Entre aquilo que eles desejam fazer e o que nós gostaríamos que fizessem, chegámos a um compromisso. É muito complicado quando se está fechado sem nenhum tipo de organização. Eles têm direito a tempo para ver TV e jogar, mas têm que fazer outras coisas como ler, ajudar nas tarefas diárias ou termos atividades em família."

Já a especialista não tem dúvidas do desgaste que o teletrabalho traz aos pais: "tornou-se uma das problemáticas nos dias de hoje. Nesse sentido os pais devem então proporcionar e adaptarem-se a novas rotinas para manter um equilíbrio mais saudável no meio familiar. Uma das coisas mais importantes é manter o horário escolar e as rotinas utilizando tarefas para os filhos que sejam adaptáveis a cada um e conforme a idade (por exemplo: Preparar o  pequeno almoço, arrumar o quarto, ler, controlar o tempo de usarem a tecnologia, etc), pois servem para promoverem mais autonomia, responsabilidade e ocupam o tempo de outra forma. Seria necessário e benéfico encontrarem tarefas lúdicas e pedagógicas (jogarem jogos de tabuleiro em família, verem um filme em conjunto, prática de exercício físico, etc), para assim criarem em conjunto novas formas de viver neste mundo de pandemia e único pelo qual todos nós estamos a passar."

Júlia Machado tem recebido cada vez mais pedidos de ajuda nas suas consultas em relação a este tema: "tenho verificado vários pais a pedirem ajuda para lidarem com os filhos e como fazer para imporem regras porque antes não as tinham e que está a ser difícil gerir tantas emoções e tantas responsabilidades ao mesmo tempo. Deve-se estabelecer e respeitar os horários para dormir, acordar e fazer as refeições. O equilíbrio é essencial para cuidar da nossa saúde mental."

Depois de um ano letivo atípico o ano passado, esta interrupção pode ser prejudicial, pela tentação de se cair mais em hábitos sedentários. Mas será que estas duas semanas vão ser prejudiciais no rendimento escolar das crianças e jovens?

A blogger Silvia Reis, que também é professora, mostra essa preocupação: "Preocupa-me bastante, principalmente no caso do meu filho no primeiro ciclo. No caso deles, têm pais disponíveis e "chatos" que vão tentando, pelo menos, que se consigam consolidar o que tem sido aprendido. Dentro das nossas negociações, eles sabem que terão de estudar um bocadinho todos os dias. Entre os TPC enviados pelos professores e tarefas organizadas pelos pais, esse tempo passa num instante."

Para a psicóloga Júlia Machado, esta questão também deve ser controlada pelas escolas, mesmo que fechadas: as crianças "podem cair num elevado sedentarismo e perda de rendimento escolar, pois perdem o ritmo e depois custa-lhes mais voltarem ao ritmo que tinham antes. Então as escolas podem até criar um conjunto de atividades lúdico pedagógicas para que os alunos possam fazer sem perderem o ritmo.Se formos disciplinados e organizados alcançaremos mais sucesso e melhores resultados postivos. Manter o hábito de estudo nem que seja pelo menos 2 horas diárias ajuda-nos a todos e em especial as nossas crianças a não perder o foco e a concentração."

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